Anúncio de Flávio sobre Lottenberg antecipa manifesto de judeus em apoio à reeleição de Lula

O documento divulgado associa a escolha eleitoral à defesa da democracia e dos direitos humanos.
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 10:30
Editado em 2 de setembro de 2026 às 11:29
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Da Redação*

Personalidades da comunidade judaica brasileira lançaram um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin nas eleições de outubro. A iniciativa, que inicialmente seria apresentada mais adiante na campanha, teria sido antecipada depois de Flávio Bolsonaro (PL) anunciar Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), como seu escolhido para o Ministério da Saúde caso vença a disputa presidencial.

Divulgado no último final de semana, o documento deu origem a uma petição pública que já reunia mais de mil assinaturas na segunda-feira (31) e permanece aberta a novas adesões. Entre os signatários aparecem nomes como Carlos Minc Baumfeld, David Zylbersztajn, Jaques Morelenbaum, Lilia Schwarcz, Michel Gherman, Natalia Timerman, Raquel Rolnik e Tatiana Salem Levy.

Defesa da democracia

No manifesto, os participantes afirmam apoiar Lula e Alckmin diante do que classificam como uma nova ameaça à democracia brasileira. O documento critica a normalização de discursos autoritários, propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos.

Os signatários recorrem também à memória histórica judaica para justificar o posicionamento. Segundo o texto, a experiência de sociedades que progressivamente aceitaram o autoritarismo e a construção de determinados grupos como inimigos reforça a necessidade de defesa dos direitos humanos, do SUS, da igualdade racial, da justiça social e das conquistas democráticas.

O apoio à chapa governista, ressaltam, não significa considerar concluído o processo democrático brasileiro nem concordar integralmente com Lula e Alckmin. A escolha é apresentada como uma opção entre a possibilidade de ampliar direitos dentro da democracia e projetos que, na avaliação dos autores, ameaçam as próprias condições para a disputa política democrática.

Anúncio de Flávio acelerou iniciativa

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a manifestação seria divulgada posteriormente. A decisão mudou depois das sabatinas presidenciais realizadas pelo Jornal Nacional, especialmente após Flávio Bolsonaro apresentar Claudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde de um eventual governo do PL.

A declaração ganhou peso por Lottenberg ocupar a presidência da Conib, principal entidade representativa da comunidade judaica organizada no país. Até o momento relatado, entretanto, Lottenberg não havia confirmado que aceitaria o cargo nem rejeitado publicamente a indicação.

Assim, enquanto Flávio procura aproximar sua candidatura de uma das principais lideranças institucionais judaicas do país, um grupo de personalidades da mesma comunidade decidiu explicitar apoio ao seu principal adversário na corrida presidencial.


* Redator: Solon Saldanha

Fotos: Lilia Moritz Schwarcz e David Zylbersztajn. Créditos: O Globo e CBME

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