Mansões, carros de luxo e viagens: a vida de Eduardo e Figueiredo nos EUA contrasta com discurso de dificuldades

A vida de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos EUA inclui residências milionárias, automóveis caros, viagens, lazer e consumo de alto padrão.
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 10:00
Editado em 1 de setembro de 2026 às 11:18
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Da Redação*

Mansões milionárias, automóveis de luxo, viagens frequentes, restaurantes sofisticados e filhos matriculados em escolas particulares caras ajudam a compor o cotidiano de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos Estados Unidos. O padrão de vida chama atenção porque ambos já recorreram publicamente ao discurso das dificuldades financeiras para explicar a situação que enfrentam desde que intensificaram a atuação política contra o governo brasileiro e ministros do Supremo Tribunal Federal. O trabalho jornalístico resultou de parceria entre Agência Pública e ICL Notícias, sendo assinado por Alice Maciel e Natalia Viana.

Eduardo Bolsonaro vive com a mulher e os filhos em Southlake, no Texas, cidade marcada por alta renda e imóveis de elevado padrão. A família ocupa uma residência avaliada em cerca de US$ 1,2 milhão, com aproximadamente 424 metros quadrados, quatro quartos, piscina e estrutura de lazer. O imóvel chegou a ser oferecido por aluguel mensal próximo de R$ 30 mil.

Os gastos familiares incluem ainda educação privada. A filha mais velha frequenta escola cristã cuja anuidade chega a US$ 18 mil, valor próximo de R$ 100 mil dependendo da cotação. Poucos meses depois de se mudar para os Estados Unidos, Eduardo também passou a utilizar um GMC Acadia Elevation 2025, SUV cujo preço gira em torno de US$ 44 mil.

Disney, esqui e viagens internacionais

A rotina não se limita ao Texas. Desde que deixou o Brasil, Eduardo acumulou deslocamentos para Washington, Miami e outros destinos americanos. Parte das viagens teve finalidade política, especialmente reuniões e contatos destinados a pressionar o governo Donald Trump por medidas contra autoridades brasileiras.

Houve também viagens de lazer. A família esteve na Disney, passou por Park City, em Utah, conhecido centro de esportes de inverno, e Eduardo apareceu em diferentes ocasiões em hotéis e destinos turísticos. Em outra viagem, esteve em Abu Dhabi, onde publicou imagens praticando surfe em piscina artificial — atividade cujo preço pode alcançar centenas de dólares por sessão.

Esse padrão contrasta com declarações em que Eduardo afirmou atravessar dificuldades para manter suas despesas nos Estados Unidos. Após bloqueios judiciais e o afastamento da atividade parlamentar, ele alegou depender de outras fontes de renda.

Mansão de US$ 1,2 milhão na Flórida

No caso de Paulo Figueiredo, documentos imobiliários revelaram a compra, em novembro de 2025, de uma casa em Clermont, na Flórida, por US$ 1,2 milhão, aproximadamente R$ 6,1 milhões. A residência fica em terreno de 17,5 mil metros quadrados e possui 515 metros quadrados de área construída. São seis quartos, cinco banheiros, cozinha gourmet, sala de jogos, piscina de água salgada e jacuzzi para 12 pessoas.

Figueiredo possui ainda outro imóvel em Weston, também na Flórida, anunciado por cerca de US$ 1,09 milhão. Somadas, as duas propriedades foram avaliadas em aproximadamente R$ 11,6 milhões. Além dos imóveis, seu padrão de consumo inclui automóvel de alto valor, viagens e restaurantes sofisticados. Investigação feita pela imprensa encontrou registros de refeições que alcançaram centenas de dólares e deslocamentos nacionais e internacionais.

A contradição com a alegada falta de dinheiro

O ponto mais evidente da contradição está na cronologia. A mansão de Clermont foi adquirida um mês depois de Figueiredo informar à Justiça americana que não dispunha de dinheiro para contratar advogado para representar sua empresa.

Anteriormente, ele já havia afirmado estar “desempregado” e enfrentar dificuldades financeiras em decorrência de sua atuação política. Em outro momento, declarou ter desembolsado aproximadamente R$ 1 milhão naquilo que chamou de “luta pela liberdade”.

Ao ser questionado sobre seu patrimônio, Figueiredo respondeu que é empresário e cidadão privado e que não precisa prestar contas à imprensa sobre seus bens ou viagens, ressalvando que nenhum dos deslocamentos teria sido pago com dinheiro público.

Eduardo Bolsonaro e Figueiredo estiveram juntos repetidas vezes em Washington durante a campanha para convencer integrantes do governo Trump a impor sanções ao Brasil. Em 2025, fizeram ao menos seis viagens à capital americana com essa finalidade. Quando questionado sobre quem financiava os deslocamentos, Eduardo preferiu ironizar e não revelou a origem dos recursos.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada com IA. Crédito: Redação da RED

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