Gastos com defesa pioram qualidade de vida dos russos | Por Edelberto Behs

Guerra, desaceleração econômica e escassez de mão de obra impulsionam a insatisfação popular e a perda de confiança nas instituições da Rússia.
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 8:00
Editado em 31 de agosto de 2026 às 14:44

O pessimismo dos russos em relação à economia e ao padrão de vida atingiu níveis recordes este ano: 60% entre os entrevistados pelo Instituto Gallup entre março e maio disseram que as condições econômicas locais estão piorando; menos da metade (27%) afirmaram o contrário. Esta é a primeira vez que russos alegaram que a economia do país está piorando.

Essa perspectiva cada vez mais negativa surge num momento em que a economia russa, afetada pela guerra, mostra sinais de desaceleração. O crescimento nos últimos anos foi impulsionado pelos gastos com defesa. Recentemente, o governo russo reduziu sua previsão de crescimento para 2026 de 1,3% para 0,4%. À medida que o recrutamento militar e a produção para a defesa competem com a economia civil por trabalhadores, o país debate-se, ainda, com escassez da mão de obra.

Do universo entrevistado, 58% disseram que agora era um momento ruim para encontrar emprego onde residem; 35% acharam que ainda é um bom momento; 56% responderam que seu padrão de vida está piorando. Esse é o maior nível de pessimismo já registrado e a primeira vez em duas décadas que a maioria dos adultos russos expressa essa opinião.

Também caíram os níveis de confiança do público nas forças armadas (para 66%, menos 13 pontos), no governo nacional (para 53%, menos 14 pontos) e a confiança na honestidade nas eleições (40%, menos 16 pontos). A percepção de liberdade de imprensa, porém, foi a que mais caiu, de um pico de 59% para 34%. Os dados mostram que o descontentamento dos russos não se limita apenas à economia, analisam Benedict Vigers e Julie Ray.


Foto de capa: Ramil Sitdikov/AFP

Sobre o autor

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Edelberto Behs
Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).

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