O pessimismo dos russos em relação à economia e ao padrão de vida atingiu níveis recordes este ano: 60% entre os entrevistados pelo Instituto Gallup entre março e maio disseram que as condições econômicas locais estão piorando; menos da metade (27%) afirmaram o contrário. Esta é a primeira vez que russos alegaram que a economia do país está piorando.
Essa perspectiva cada vez mais negativa surge num momento em que a economia russa, afetada pela guerra, mostra sinais de desaceleração. O crescimento nos últimos anos foi impulsionado pelos gastos com defesa. Recentemente, o governo russo reduziu sua previsão de crescimento para 2026 de 1,3% para 0,4%. À medida que o recrutamento militar e a produção para a defesa competem com a economia civil por trabalhadores, o país debate-se, ainda, com escassez da mão de obra.
Do universo entrevistado, 58% disseram que agora era um momento ruim para encontrar emprego onde residem; 35% acharam que ainda é um bom momento; 56% responderam que seu padrão de vida está piorando. Esse é o maior nível de pessimismo já registrado e a primeira vez em duas décadas que a maioria dos adultos russos expressa essa opinião.
Também caíram os níveis de confiança do público nas forças armadas (para 66%, menos 13 pontos), no governo nacional (para 53%, menos 14 pontos) e a confiança na honestidade nas eleições (40%, menos 16 pontos). A percepção de liberdade de imprensa, porém, foi a que mais caiu, de um pico de 59% para 34%. Os dados mostram que o descontentamento dos russos não se limita apenas à economia, analisam Benedict Vigers e Julie Ray.
Foto de capa: Ramil Sitdikov/AFP


