Da Redação*
Seis meses depois de Estados Unidos e Israel iniciarem uma ofensiva militar que pretendia enfraquecer decisivamente o Irã, com pesados bombardeios, o regime de Teerã permanece no poder e Washington muda de estratégia. Sem conseguir provocar a queda do governo iraniano nem obter sua capitulação, Donald Trump passou a apostar no estrangulamento econômico do país, como forma de tentar reverter o evidente fracasso.
A guerra começou em 28 de fevereiro. Os ataques aéreos mataram o líder supremo Ali Khamenei, atingiram integrantes da cúpula iraniana e destruíram parte significativa das forças aérea e naval do país. O programa de mísseis também sofreu danos, mas mesmo assim a esperada desestabilização interna não ocorreu.
Regime resiste e mantém poder
Mojtaba Khamenei sucedeu o pai e a estrutura de poder sobreviveu, cada vez mais apoiada nos militares. Ao mesmo tempo, Teerã recompôs parte de sua capacidade de lançamento de mísseis, atacou bases norte-americanas e aliados de Washington e passou a exercer forte controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo.
A população iraniana, entretanto, paga o preço mais alto. Milhares de civis morreram durante o conflito, atingidas por forças militares dos EUA e de Israel. E a economia sofre com inflação elevada, redução do comércio exterior e dificuldades provocadas pela guerra, pelo bloqueio e pelas sanções.
Especialistas ouvidos por diferentes veículos internacionais avaliam que a superioridade militar de estadunidenses e israelenses produziu danos enormes, mas não alcançou os objetivos políticos que eram inicialmente projetados. A permanência do regime e a capacidade iraniana de pressionar seus vizinhos obrigaram países da região a considerar uma convivência prolongada com a República Islâmica.
Bombas dão lugar às sanções
Diante do impasse, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana a chamada “Operação Pária Econômico”. A estratégia pretende ampliar o isolamento financeiro do Irã e atingir também países, bancos e empresas que continuarem mantendo relações comerciais com Teerã.
O problema é que o Irã já convive há anos com milhares de sanções e desenvolveu mecanismos para contorná-las. A China, por exemplo, principal compradora do petróleo iraniano, representa um obstáculo importante a uma tentativa de isolamento completo.
A mudança deixa sem resposta uma questão central: Washington pretende derrubar o regime, obrigá-lo a reabrir plenamente o Estreito de Ormuz ou forçá-lo a negociar? Sem uma definição clara, analistas alertam que o cerco econômico pode acabar funcionando não como alternativa à guerra, mas como preparação para uma nova escalada militar.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração gerada por IA. Crédito: RED

