Uma das principais razões que induzem o eleitor a votar de forma equivocada é a falta de memória e/ou desleixo político. Só isso pode explicar o universo de eleitores que pensam em votar no Flávio Bolsonaro para presidente. Foi o pai dele, enquanto presidente, que ao negar a importância da vacinação facilitou a propagação do vírus do Covid-19, gerando mais de 700 mil mortes.
O descaso de Jair Bolsonaro para a gravidade da pandemia foi tanto que além de não se vacinar e não usar máscara facial, ainda estimulou que as pessoas não ficassem reclusas e que tomassem remédios ineficazes como medida de prevenção. Quer razão maior para abominar a gestão desse genocida?
Pois foi esse indivíduo relapso e impiedoso que, na condição de aprisionado inelegível, teve a ousadia de indicar o filho como seu representante na eleição que definirá o próximo ocupante do Palácio do Planalto. Com certeza apostando na amnésia política do eleitor.
Óbvio, pois Flávio tem um histórico de inoperância parlamentar e de idoneidade duvidoso, igual ou pior que o do pai. Até mesmo na desfaçatez e na demagogia a semelhança se reproduz. Ou a devoção evangélica demonstrada apenas em época de eleição não é exatamente isso?
Como explicar alguém ter saudade da ditadura militar? Ou desdenhar da gravidade do que aconteceu no oito de janeiro de 2023? Como considerar a possibilidade de votar num vereador carioca improdutivo, que de uma hora para outra resolveu ser candidato a senador por Santa Catarina, como acontece com Carlos Bolsonaro?
Tamanho disparate racional do eleitor dos Bolsonaro me faz lembrar de uma postagem que li na plataforma X e que dizia o seguinte: “De oito anos para cá fico me perguntando de onde saiu essa gente horrível? Eles são o meu amigo, o vizinho do andar, meu colega de trabalho, o motorista do Uber, o porteiro do prédio, o segurança do shopping… Sempre estiveram ali, nós é que não os conhecíamos”.
O antídoto para essa predileção por candidatos de tendência fascista é a informação, de preferência aquela que leva à reflexão. Não é por acaso que o bolsonarismo valorize sobremodo as postagens nas redes sociais e enalteça as lideranças evangélicas. É que são instrumentos que lidam com segmentos populares de fácil indução e comprovada alienação.
Mais do que jogar luzes nos abduzidos pelo falso mito, a informação correta se torna imprescindível para dissipar as dúvidas do eleitor indeciso ou desiludido.
Mas não esperem que isso aconteça através da mídia conservadora, comprometida com a oligarquia econômica. A batalha pela lucidez política e consequentemente do voto consciente depende do empenho do eleitor esclarecido. Nas ruas, nas paradas de ônibus, nos metrôs, nas feiras e supermercados, nas reuniões das associações de bairro e, principalmente, nos espaços preferenciais de atuação da extrema direita: as redes sociais.
Mostrar que o que está em jogo não é a predominância do bolsonarismo sobre o lulismo, ou vice-versa, mas a democracia. Que votar nos candidatos progressistas é garantir a liberdade de expressão, a participação popular, salvaguardar os direitos humanos e trabalhistas, assegurar a alternância de poder e a resolução pacifica de conflitos.
E que nesse contexto não há avalista maior do que Lula. Por sua história, sua experiência e, especialmente, pelas causas humanitárias que defende. Uma trajetória que não pode ser apagada e muito menos esquecida, seja nos livros de história, seja no momento do voto.
Foto de capa: FáTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


