Governo Trump chama regra eleitoral brasileira de censura após X limitar recomendações

A regra do TSE não determina remoção de postagens ou bloqueio de contas, mas restringe sua distribuição automática pelos algoritmos.
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 10:45
Editado em 17 de agosto de 2026 às 10:33
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Da Redação*

Uma integrante do alto escalão do governo Donald Trump acusou o Brasil de impor censura às redes sociais após o X modificar seu sistema de recomendações para as eleições de 2026. A mudança impede que publicações de candidatos sejam sugeridas automaticamente a usuários que não acompanham seus perfis.

A crítica foi feita neste domingo (16) por Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública. Ela reagiu à divulgação de uma nova versão do código utilizado pelo X para selecionar conteúdos exibidos aos usuários, na qual aparece um filtro específico para o processo eleitoral brasileiro.

“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Ela também deixa explícita a censura imposta pelo Brasil”, escreveu Rogers.

Regra atinge recomendação, não publicação

O mecanismo adotado pela plataforma foi identificado como “Brazil2026ElectionFilter”. Segundo o X, sua implementação atende às normas eleitorais brasileiras e retira do feed “Para Você” as recomendações de conteúdos publicados pelas contas oficiais de candidatos registradas perante a Justiça Eleitoral.

A restrição não determina o bloqueio de perfis nem a retirada das postagens. Quem segue determinado candidato continuará recebendo seus conteúdos normalmente, e qualquer usuário poderá acessar diretamente a respectiva conta.

A alteração está relacionada à Resolução nº 23.610/2019, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A norma estabelece que plataformas com sistemas de recomendação devem retirar desses mecanismos os perfis oficiais comunicados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral e as publicações feitas por essas contas, preservadas as situações autorizadas de impulsionamento pago.

Ao comunicar a mudança, o X declarou estar cumprindo estritamente a regulamentação brasileira. A empresa reconheceu ainda que a aplicação do filtro poderá reduzir o alcance e a visibilidade das publicações dos candidatos.

Novo foco de tensão com Washington

A declaração de Rogers insere a regulamentação das plataformas digitais em uma relação já marcada por divergências entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, autoridades norte-americanas ampliaram as críticas ao Brasil em temas comerciais, diplomáticos e relacionados às regras aplicadas às redes sociais.

Na semana passada, o secretário de Estado, Marco Rubio, acusou o governo Lula de agir de “má-fé” nas negociações comerciais e relacionou essa postura às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A administração Trump também vem questionando decisões brasileiras sobre liberdade de expressão e responsabilização das plataformas digitais.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Sarah B. Rogers. Crédito: reprodução Infomoney

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Uma resposta

  1. O problema dos seguidores, e do próprio Trump, é a profunda ignorância e intelectual, e o desconhecimento e respeito pelas leis do Brasil.
    Como todo império, só valem suas interpretações e muda conforme seus interesses políticos.

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