Da Redação*
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito entregou ao Congresso dos Estados Unidos uma carta na qual defende que as eleições brasileiras de outubro sejam conduzidas sem interferências externas. O documento sustenta que eventuais iniciativas estrangeiras capazes de colocar sob suspeita o sistema eleitoral podem representar uma ameaça à soberania do país.
Representantes da entidade estiveram em Washington no dia 3 de agosto e levaram a manifestação aos gabinetes dos senadores Raphael Warnock, da Geórgia, e Adam Schiff, da Califórnia, além da deputada Hillary Scholten, de Michigan. Os três parlamentares têm trajetórias ligadas a comunidades religiosas.
Warnock é pastor da Ebenezer Baptist Church, em Atlanta, igreja historicamente associada a Martin Luther King Jr. Schiff é judeu, enquanto Scholten já exerceu a função de diaconisa em uma igreja cristã reformada de Michigan.
Tarifas e sistema eleitoral
A carta concentra suas preocupações em três pontos. Um deles é a política tarifária norte-americana para produtos brasileiros, que, segundo a Frente, deve obedecer a critérios econômicos e comerciais, sem ser utilizada como instrumento relacionado a disputas políticas internas do Brasil.
Outro ponto é a possibilidade de funcionários dos Estados Unidos viajarem ao país antes das eleições para tratar, entre outros assuntos, da integridade do processo eleitoral. A entidade pede aos congressistas que desencorajem ações que possam ser interpretadas como tentativa de influenciar ou deslegitimar a votação.
“As eleições no Brasil são uma responsabilidade exclusiva dos brasileiros, conduzidas e julgadas por suas próprias instituições”, afirma o documento. Para a coordenadora nacional da Frente, a jornalista Nilza Valeria, a posição está relacionada à defesa da democracia e da soberania nacional, princípios que, segundo ela, orientam o movimento desde sua criação, em 2016.
Uso político da religião
A terceira preocupação apresentada envolve a atuação eleitoral de lideranças evangélicas. A Frente afirma que religiosos que utilizam púlpitos e outras plataformas para promover a candidatura do senador Flávio Bolsonaro não representam a diversidade política existente entre os evangélicos brasileiros.
Segundo a carta, empregar a autoridade religiosa para direcionar fiéis a determinada candidatura significa instrumentalizar a fé com finalidade partidária. A entidade se apresenta como uma corrente evangélica comprometida com direitos humanos, justiça social, democracia e respeito às instituições.
A iniciativa faz parte de uma articulação desenvolvida nos últimos anos com lideranças norte-americanas. A Frente propõe manter um canal permanente com parlamentares dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pede respeito à autonomia brasileira durante o processo eleitoral.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração criada pela redação, com uso de IA

