ONU e FIFA poderiam se unir e colocar um time em campo, num jogo pela dignidade humanitária do planeta. Nesse jogo, os telões da FIFA nos estádios de futebol não seriam destinados apenas a indicar os números da partida, ou de anúncios publicitários. Ele traria informações, dados da fome, da sede, de guerras no mundo, indicando alternativas de ajuda humanitária.
Nessa Copa do Mundo de 2026, dois países que estão arrolados no estudo “Pontos Críticos da Fome”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (WFP), tiveram seleções participando da primeira fase e segunda fase do campeonato. Trata-se do Haiti e da República Democrática do Congo.
O estudo prevê que entre julho e novembro os “pontos críticos da fome” sofrerão um agravamento por causa da queda de 59% no financiamento humanitário global para assistência de emergências nas áreas alimentar e agrícola. As agências alertam que esse avanço da insegurança alimentar requer uma mobilização internacional imediata.
Não seria uma oportunidade ímpar, com estádios lotados, milhões de telespectadores assistindo aos jogos, os painéis da Copa informarem o que está se passando em alguns países onde a fome avança, e lançar uma campanha internacional de ajuda humanitária? Não seria um golaço da ONU/FIFA?
Nos jogos envolvendo seleções de países asiáticos, africanos e sul-americanos o painel da FIFA poderia trazer dados gerais sobre esses continentes, a pressão que sofrem por políticas de preços de seus produtos, por ações neocolonialistas e dinâmicas políticas. Seria uma informação que chegaria a bilhões de habitantes do planeta! É esperar demais de uma FIFA que busca seus recursos em grandes investimentos?
Também poderia ser informado que em 2025, os nove países que possuem armas nucleares – Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coréia do Norte – gastaram 119 bilhões de dólares para manter e modernizar seus arsenais, o equivalente a 3.768 dólares (cerca de 19 mil reais) por segundo.
Claro, seria “atrapalhar” a festa do futebol. Mas o que seria um momento de inflexão para alguém que paga 353 dólares (cerca de 1.960 reais) para um lugar nos estádios onde se desenrolou a primeira fase da Copa, ou de 29 mil reais para assistir a final da Copa de 2026? Não seria um bom momento de tentar suprir os recursos que faltam na cota da ONU para os países críticos da fome? Salvaria milhões de pessoas!
- Fase de Grupos: Ingressos oficiais partem de cerca de US$ 353 (aproximadamente R$ 1.960). [1]
- Abertura (Estádio Azteca, Cidade do México): Variações oficiais de US$ 353 a US$ 706 (R$ 1.960 a R$ 3.920). [1]
- Jogos de Mata-Mata: Entradas de categorias superiores para oitavas e quartas de final superam facilmente os US$ 890 (cerca de R$ 4.900). [1]
- Final (Nova Jersey, EUA): O ingresso mais barato para a decisão é comercializado a partir de R$ 29.000, mas os valores oficiais e de revenda podem alcançar de R$ 50.000 a mais de R$ 190.000. [1, 2, 3]
Acompanhar os jogos ao vivo no estádio exige alto planejamento financeiro por conta do sistema que ajusta os preços conforme a procura do público. Para informações exatas, atualizações diárias e disponibilidade de bilhetes, acesse o Portal de Ingressos da FIFA. [1, 2]
Foto de capa: IA



Uma resposta
Excelente comentário. Ótima idéia. Vou, inclusive, escrever algo sobre este assunto e cartinha ao Correio do Povo, evidentemente que dando os devidos créditos a este texto e ao senhor. Muito bom.