Pela primeira vez, este ano, o consumo de mídias sociais e redes de vídeo ultrapassou outras fontes de notícias como a matriz de informação mais utilizada em termos globais, perfazendo 54% de toda a audiência. A constatação é do Relatório de Notícias Digitais de 2026 do Instituto Reuters e da Universidade de Oxford, divulgado na semana passada, e que avaliou 48 mercados do mundo.
O acesso às redes sociais e às redes de vídeo mantiveram-se estáveis, mas principalmente devido à queda contínua da televisão para 52% da audiência mundial e dos sites de notícias para 51%. As plataformas intermediárias de terceiros se tornaram mais populares do que as plataformas digitais das próprias editoras de notícias. Semanalmente, 77% da população mundial consome vídeos de notícias. As redes sociais e as plataformas de vídeo são mais populares como fonte de notícias em 30 dos 48 mercados pesquisados.
Mais de um quarto do universo pesquisado (27%) obtém notícias de criadores de conteúdo ou influenciadores focados em notícias, e quase metade (46%) obtém notícias de criadores de qualquer tipo. Os entrevistados afirmaram que os criadores de conteúdos são mais divertidos, fáceis de entender e com quem melhor se identificam, mais do que os veículos de notícias tradicionais. Globalmente, 30% das pessoas afirmaram que as redes sociais e os canais de vídeo são sua principal fonte de notícias, um aumento de 8 pontos percentuais em relação a cinco anos atrás.
O sistema comunicacional deverá sofrer outro impacto logo à frente com o uso cada vez maior de chatbots de Inteligência Artificial; 10% das pessoas já os usam para notícias, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Usuários de IA são mais propensos a querer verificar e descobrir mais detalhes sobre a fonte e o fato em si.
O Relatório da Reuters e da Oxford captou que o número de pessoas que se declaravam “extremamente” ou “muito” interessadas em notícias caiu de 59% para pouco menos de 46% em cinco anos. Um quarto (25%) dos entrevistados é usuária causal ou passiva de notícias, que normalmente consome notícias apenas uma vez por semana e afirma que têm pouco ou nenhum interesse pelas mesmas, percentual que era de 16% registrado em 2021.
“Essas reduções no interesse popular por notícias– arrola Jim Egan, que faz uma análise síntese do Relatório de Notícias Digitais de 2026 – têm implicações tanto democráticas quanto comerciais, dificultando o engajamento dos cidadãos no processo político e aumentando o desafio de monetizar com sucesso a atenção às notícias, seja por meio de publicidade ou por meio de receita gerada pelos leitores.”
A pesquisa segmentou os pesquisados em três grupos de acordo com a frequência com que consomem notícias e o interessa que elas geram. Os três segmentos são “amantes de notícias”, “leitores de resumos diários” e “usuários ocasionais”. Desde 2021, o percentual de amantes de notícias caiu de 29% para 22% do total de pesquisados; os usuários ocasionais aumentaram de 16% para 25%. A amostra total nos 48 mercados foi de 97.520 respondentes.
Também caiu de 40% para 37% o percentual de pessoas nos 48 mercados que manifestaram confiança nas notícias. No Brasil, essa queda foi de 6% e de 8% no Peru. Em países com algumas das maiores quedas na confiança, como Filipinas, Tailândia, Peru e Polônia, os eventos recentes apontam para uma provável deterioração do ambiente informacional em geral, avalia Egan. A queda no interesse noticioso vai além do trabalho das empresas de comunicação e dos comunicadores. Instabilidade política, crescente divisão social, eleições polarizadas e um ambiente informacional mais ruidoso e fragmentado “parecem ser características comuns dos mercados onde a confiança nas notícias mais caiu. Algumas dessas reduções deve-se a ataques diretos a veículos de comunicação e jornalistas, que mina a confiança no jornalismo como um todo.”
A pesquisa perguntou, em 26 mercados, qual a influência que os entrevistados percebem em políticos, especialistas, crime organizado, anunciantes, ativistas/grupos de defesa e proprietário de mídia impactam nas notícias. Políticos e funcionários de governos foi o grupo que mais influencia as notícias, mas os proprietários de empresas de mídia também foram apontados como influenciadores na produção noticiosa. Os dois grupos tiveram o apontamento de 70% do universo pesquisados.
Um dado surpreendente: 56% de jovens entre 18 e 24 anos de idade relataram nunca terem lido algum jornal regularmente. O número equivalente para noticiários televisivos é de 21%.
Foto de capa: IA


