STF avança em proposta para barrar leis que criem gastos sem indicar recursos

Proposta de Gilmar Mendes recebe respaldo de entidades municipais, mas enfrenta resistência do Senado por possível interferência nas decisões do Legislativo.
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 14:30
Editado em 8 de agosto de 2026 às 11:38
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Da Redação*

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deram novas indicações de apoio à proposta do decano Gilmar Mendes para estabelecer uma súmula destinada a conter as chamadas “pautas-bomba”, iniciativas aprovadas pelo Legislativo que ampliam despesas públicas ou reduzem receitas sem apontar fontes de compensação.

A ideia apresentada por Gilmar em junho prevê que normas com esse perfil possam ser consideradas inconstitucionais. Antes do julgamento, o STF abriu prazo até o fim de agosto para receber contribuições destinadas ao aperfeiçoamento do texto da súmula.

Julgamento reforça discussão

O assunto ganhou destaque durante sessão do Supremo que derrubou dispositivos de duas leis de Curitiba responsáveis por mudanças nas carreiras de professores e outros profissionais da educação. O plenário acompanhou o relator, André Mendonça, que apontou a criação de regras de progressão funcional sem a necessária previsão orçamentária.

Durante o julgamento, Gilmar Mendes criticou especialmente o uso de propostas de emenda à Constituição para instituir despesas e, dessa maneira, contornar mecanismos como o veto presidencial. Segundo o ministro, a prática representa um problema para o equilíbrio entre os Poderes e para a organização federativa.

Uma das iniciativas recentemente criticadas pelo decano é a PEC aprovada pelo Senado sobre aposentadoria de agentes de saúde. Cálculos da equipe econômica do governo Lula estimam impacto de aproximadamente R$ 30 bilhões em dez anos.

Apoio no Supremo e resistência no Senado

Dias Toffoli antecipou que votará favoravelmente à súmula. Para o ministro, a medida também poderá impedir aumentos concedidos a servidores nas proximidades das eleições sem sustentação financeira adequada, estabelecendo parâmetros aplicáveis à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.

Cristiano Zanin relacionou a iniciativa à necessidade de preservar a sustentabilidade das contas públicas. André Mendonça também advertiu que determinadas medidas criam expectativas de benefícios cujo custo acaba sendo transferido para administrações posteriores, muitas vezes sem recursos suficientes para cumpri-las.

A proposta, entretanto, enfrenta resistência no Senado. A Casa argumenta que a súmula poderia transformar o Supremo em uma espécie de instância permanente de revisão das decisões econômicas e orçamentárias tomadas pelos Poderes Legislativo e Executivo. Segundo a advocacia do Senado, a fiscalização das estimativas de impacto e das compensações caberia prioritariamente ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Em sentido contrário, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apoiam a iniciativa. As entidades sustentam que despesas criadas sem financiamento correspondente podem comprometer a autonomia financeira de estados e municípios.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Gilmar Mendes. Crédito: imprensa do STF

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