Neste momento em que as relações dos Estados Unidos e da Argentina com o Brasil passam por tensões jamais imaginadas, é preciso fazer duas perguntas: Os Bolsonaro amam o Brasil? Defendem o Brasil?
Ações e declarações do clã (ou gangue?) vem rendendo, já há alguns anos, manchetes e grandes chamadas na imprensa nacional. A maioria delas revela um certo (ou total) ódio pelo país e pelos brasileiros.
A primeira fala de desamor à nação que eu me lembro é aquela do capitão em entrevista ao programa Câmara Aberta da TV Bandeirantes, em 1999: “Eu sou favorável à tortura, tu sabe disto, e o povo também (sic)”. E emendou: “Através do voto não vai mudar nada. Nada. Absolutamente nada. Só vai mudar, infelizmente, no dia que partirmos para uma guerra e fazendo o trabalho que a ditadura não fez: matando 30 mil (brasileiros)”.
Nem seria preciso retroceder ao final do século XX para demonstrar que a missão que os bolsonaro se autoimpuseram é a de infligir a seus compatriotas, aos quais não amam e nem respeitam, uma nova ditadura. Para isso qualquer arma é válida: encenações de doenças e de brigas familiares, mentiras, apoio a milicianos, busca de interferência de outros países no Brasil, desobediência às leis e à instituições e muito mais.
Marcados pela covardia, costumam esconder a mão rapidamente depois de dar o tapa. Negam tudo o que fazem e dizem. São discípulos aplicados de Roy Cohn, o mentor de Donald Trump que o ensinou a atacar sempre, jamais admitir derrotas e negar tudo, quando pego com a boca na botija. Os exemplos mais recentes deste comportamento pusilânime estão bem vivos na nossa memória coletiva. Vale uma rápida retrospectiva:
– Jair Bolsonaro, um antidemocrata, não aceitou o resultado das eleições de 2022. Instigou seus seguidores a fazer o mesmo e planejou um golpe, que morreu no nascedouro, por interferência dos, então, ministros do Exército Marco Antônio Freire Gomes e da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior. A partir daí, o ex-presidente passou a negar o plano. Preso, o homem que se dizia imbrochável, imorrível e incomível assumiu o papel de vítima, doente, frágil, necessitado de cuidados permanentes. Como eu já disse, em outro texto, essa atuação relembra, em muito, a do general Augusto Pinochet, o sanguinário ditador do Chile, quando correu o risco de ser preso em Londres.
– Ao não aceitar a prisão paterna, seu filho 03 se mudou para os Estados Unidos, em busca de ajuda para tirá-lo da cadeia. Andou falando com seus amigos da direita norte-americana, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de gusanos (cubanos que fugiram para a Florida, após a queda de Fulgêncio Batista, em 1º. de Janeiro de 1959). A ajuda – ninguém esquece – veio com um tarifaço sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Eduardo festejou a punição aos brasileiros. Isto é amar o Brasil? É defender o país?
– Mais recentemente foi a vez do 01 ir aos Estados Unidos em busca de reforço para a sua campanha presidencial. Pediu e ganhou: o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) foram classificados pelo governo norte-americano como organizações terroristas, o que do ponto de vista do governo Trump pode incluir ações militares no território brasileiro. A ajudinha não parou aí: os produtos brasileiros receberam mais uma sobretaxa, que passou a ser conhecida como tariflávio. O 01 revelou que pedira o adiamento do novo tarifaço para depois das eleições. Motivo: não beneficiar a campanha de Lula. Ou seja, aceitou que produtores, empresários, industriais e trabalhadores sejam punidos após o pleito. Ah! Ainda temos o episódio da carta assinada pelo Júnior propondo enviar aos Estados Unidos uma equipe de transição, caso seja eleito. Pior: estaria pronto a dar, de mão beijada, nossas riquezas aos norte-americanos. Isto é amar o Brasil? É defender o país?
– Flávio e Trump terceirizaram o presidente argentino, o nada confiável Javier Milei, para atacar o presidente brasileiro com acusações que, se ditas pelo candidato da direita, poderia resultar em cassação de sua candidatura. Gritadas por Milei, evidentemente, salvam o 01, mas provocam uma crise diplomática. Crise que, quem sabe, pode justificar maior intervenção de Trump na política brasileira, em defesa de seus aliados. Isto é amar o Brasil? É defender o país?
– O líder do clã (gangue?) escreveu uma carta pedindo apoio e votos para o 01, infringindo a Lei Eleitoral. Para se ver livre da punição merecida (voltar para a Papudinha) negou, descaradamente, saber que o filho divulgaria a carta. Como é mesmo?! A carta não era dirigida aos brasileiros? A carta ficaria em segredo? Os destinatários não a receberiam? A negação é totalmente inverossímil e desrespeita a inteligência dos brasileiros. Este comportamento revela amor ao Brasil ou apenas aos interesses familiares?
– O seguinte ataque à legislação brasileira se deu no lançamento do Júnior como candidato a presidente pelo PL. O avatar de Jair Bolsonaro, criado por Inteligência Artificial, apareceu para reclamar da prisão, que considera arbitrária, e pedir: “Recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio”. Burlar as normas eleitorais é uma atitude digna? Não, claro que não.
Não esqueçamos que o 01 ainda não prestou contas da dinheirama que recebeu de Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master.
Essa pequena amostra de atos dos Bolsonaro prova que eles não amam nem defendem o Brasil. Cabe aos defensores da democracia, sejam de esquerda, direita ou centro, impedir que cheguem ao Planalto e ao Congresso.
Foto de capa: Reprodução


