Da Redação*
A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo afirmou que o impacto da pandemia de Covid-19 no Brasil pode ter sido muito maior do que indicam as estatísticas oficiais. Em debate realizado nesta segunda-feira (20), no Rio de Janeiro, a pneumologista sustentou que o país teria registrado mais de 2 milhões de mortes relacionadas direta ou indiretamente ao coronavírus, número quase três vezes superior aos cerca de 720 mil óbitos oficialmente contabilizados.
A declaração ocorreu durante um ciclo de debates sobre Cinema e Direitos Humanos, promovido na Estação Claro Rio, na Zona Sul da capital fluminense, após a exibição do documentário Anatomia do Caos. Reconhecida por sua atuação científica durante a crise sanitária, Dalcolmo afirmou que a contagem oficial não reflete a dimensão completa dos efeitos da pandemia.
Mortes diretas e consequências da pandemia
Segundo a pesquisadora, a estimativa leva em consideração não apenas as pessoas que morreram durante a fase aguda da infecção, mas também aquelas que vieram a óbito posteriormente em decorrência de sequelas da doença ou dos impactos provocados pela sobrecarga do sistema de saúde.
Para Dalcolmo, especialistas vinculados à Organização Mundial da Saúde (OMS) também trabalham com avaliações que consideram o chamado excesso de mortalidade, indicador utilizado para estimar o número real de vítimas em situações de grandes emergências sanitárias.
Vacinação segue como principal estratégia
A pneumologista também avaliou que a Covid-19 passou a apresentar comportamento endêmico, exigindo políticas permanentes de prevenção. Entre as medidas defendidas, está a possibilidade de, futuramente, a vacinação contra o coronavírus ser aplicada em conjunto com a imunização anual contra a influenza, modelo já adotado para outras doenças respiratórias.
Dalcolmo ressaltou que a vacinação continua sendo a ferramenta mais eficaz para reduzir hospitalizações e mortes provocadas por vírus de transmissão respiratória, reiterando que a imunização foi decisiva para controlar os efeitos mais graves da pandemia.
A crise sanitária também ficou marcada por intensos debates sobre a condução das políticas públicas no país. Durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL), decisões relacionadas ao enfrentamento da Covid-19 foram alvo de críticas por parte de entidades científicas, pesquisadores e organismos de saúde. Entre os principais pontos questionados estiveram o atraso na aquisição de vacinas, a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença e declarações que minimizaram a gravidade da pandemia. As ações do governo foram posteriormente analisadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, e parte desses fatos também integra procedimentos em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Margareth Dalcolmo. Crédito: Arquivo pessoal

