CORRESPONDENTE POLÍTICO | A Master crise do MDB do Distrito Federal

Disputa interna no MDB do Distrito Federal expõe divergências sobre a sucessão de 2026 e coloca em xeque a unidade construída nos últimos anos.
Última edição em junho 9, 2026, 11:10

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Não foi uma iniciativa do presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), determinar uma intervenção no diretório do Distrito Federal. O pedido foi feito pelo grupo integrado pelo deputado federal Rafael Prudente. A partir do pedido, ficam suspensas decisões do presidente do partido no DF, o deputado distrital Wellington Luiz, até que a Executiva Nacional resolva o que fazer numa reunião que fará na quinta-feira (11). Baleia criou ainda uma comissão, presidida pelo deputado Isnaldo Bulhões (AL) para avaliar a situação. Para uma experiente liderança emedebista ouvida pelo Correio Político, uma tremenda confusão, “motivada por meros interesses particulares”, que deveria ter sido evitada.

Foi Ibaneis quem criou Celina

Esse emedebista lembra que foi o próprio ex-governador Ibaneis Rocha quem construiu a aliança que levou Celina Leão a ser sua vice-governadora. No primeiro governo Ibaneis, seu vice-governadora era Paco Britto, hoje no Avante. “Muda agora o comando do governo e aí a saída é querer mudar tudo a quatro meses da eleição? Não vai dar certo”, vaticina. “Conflitos fazem parte da política, e eles se resolvem conversando”.

“O partido não pode perder votos”

"O partido não pode perder votos"
Rafael Prudente tem tempo de construir candidatura?Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Ao contrário de partidos com comando central forte – caso, por exemplo do PSD com Gilberto Kassab – no MDB é muito respeitada a decisão regional. Então, foi decisão de Ibaneis Rocha compor a aliança de centro-direita que o levou à reeleição em 2022 e o aproximou do ex-presidente Jair Bolsonaro naquela eleição. “Querer criar um quadro diferente agora não vai dar certo”, considera o emedebista ouvido pelo Correio da Manhã. “Partir às pressas para uma candidatura própria vai fazer o partido perder votos”, avalia.

Prioridade é proporcional

Na avaliação desse emedebista, se o partido optar por uma candidatura própria sem planejamento, poderá vir a perder votos que afetarão seu desempenho nas eleições proporcionais. “Menos votos é um deputado distrital a menos, é ficar, talvez, sem deputado federal”, alerta. “Eu sempre fui a favor de candidaturas próprias, mas isso não foi construído assim”.

Plano

“O plano de Ibaneis era eleger Celina, se eleger senador e, quem sabe, voltar ao governo depois”, diz o emedebista. “Agora, vemos projetos pessoais querendo prevalecer sobre os interesses do partido”, critica. Ele não é contra a candidatura de Ibaneis ao Senado. Mas não pode ser ela a definir toda a estratégia.

Direção

Não é possível saber se a decisão do MDB a essa altura irá na direção defendida por esse emedebista. Na verdade, ao compor a aliança com Celina foi Ibaneis quem determinou que o presidente do partido no DF fosse Wellington Moraes. Naquele momento, Ibaneis não tinha muita relação com Rafael Prudente.

Briga

A aproximação com Rafael Prudente deu-se na mesma medida em que cresceu a briga de Ibaneis Rocha com Celina Leão. Antes mesmo dele deixar o governo, a ideia de ter Prudente como candidato a governador começou a ser testada. Especialmente depois que o PL indicou que não daria espaço a Ibaneis.

Chapa

Quando o PL indicou que faria uma chapa pura tendo como candidatas Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis, Ibaneis reagiu fortemente. Nesse momento, começou a cogitar Rafael Prudente. Quando em maio Ibaneis anunciou rompimento com Celina, ao seu lado estava o presidente nacional do partido, Baleia Rossi.

Recuo

Alguns dias depois, porém, Ibaneis recuou e voltou a falar de diálogo com Celina Leão. O emedebista ouvido pelo Correio Político não vê a essa altura outro caminho prudente senão seguir unido a Celina Leão. Mas será a Executiva Nacional, a partir do relatório da comissão presidida por Isnaldo Bulhões.

Imprevisível

“O que vai acontecer até outubro a essa altura é imprevisível”, considera o político. “Há espaço para diversas candidaturas de centro-direita?”, questiona. “É possível garantir se José Roberto Arruda [PSD] irá até o fim?, continua. “Que o senador Izalci Lucas [PL] será candidato ao governo?”. “Calma ou todos perdem”.



Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Foi Ibaneis quem construiu aliança com Celina | Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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