Da Redação*
Dezenas de bispos católicos brasileiros divulgaram nesta sexta-feira (21) uma carta em que denunciam o avanço de um “conservadorismo autoritário”, inclusive dentro da própria Igreja, e condenam discursos de ódio, posturas fascistas e a manipulação política da religião. A manifestação ocorre a dois meses do primeiro turno das eleições e também defende a democracia, a soberania nacional e a escolha de candidatos comprometidos com causas populares.
Intitulado “Não deixemos cair a profecia”, o documento é assinado coletivamente pelos Bispos do Diálogo pelo Reino, grupo de orientação progressista. Os nomes dos integrantes foram preservados. Um dos bispos explicou à Folha de S.Paulo, que revelou a carta, que o anonimato busca evitar perseguições e agressões virtuais.
Críticas atingem setores católicos
A carta afirma que redes sociais e alguns veículos de inspiração católica vêm sendo utilizados para disseminar discursos agressivos contra cristãos envolvidos com os pobres, a democracia e a defesa ambiental. A crítica alcança membros do clero, religiosos e leigos que, segundo o grupo, estimulam ambientes fechados e hostis dentro da Igreja.
Os bispos acusam esses setores de tentar desqualificar, intimidar e silenciar religiosos e fiéis comprometidos com uma atuação social. O documento também manifesta apoio às pastorais e movimentos que enfrentam a mineração predatória, abusos nas relações de trabalho e violências contra mulheres, povos originários, afrodescendentes e população LGBTQIAPN+.
Recado em ano eleitoral
Ao abordar diretamente as eleições, os religiosos afirmam não ter partido, mas declaram apoio a quem defende os pobres, a democracia e a soberania brasileira. Também se posicionam contra “qualquer postura fascista”, o uso político da religião e a propagação de mentiras e ódio nas redes digitais.
O grupo recomenda aos eleitores uma escolha consciente de candidatos comprometidos com o bem comum, as causas populares e a proteção ambiental. A carta relaciona essas posições às recentes orientações da Igreja no Brasil e ao magistério dos papas Francisco e Leão XIV.
Os Bispos do Diálogo pelo Reino já haviam participado do debate político em 2022. Antes do segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro, divulgaram documento afirmando que não cabia neutralidade diante do confronto que identificavam entre um projeto democrático e outro autoritário.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração produzida por IA. Crédito: RED


Respostas de 2
Se é uma carta à população, um manifesto, como pode não ter assinaturas?
Sem assinaturas, não é uma carta pública nem um manifesto.
Trata-se, no máximo, de uma posição legítima de um grupo de bispos da Igreja Católica Apostólica Romana que, por alguma razão, prefere permanecer no anonimato.
Portanto, na minha opinião, a matéria deveria informar que existe um grupo de bispos que deseja manter sua identidade em segredo e que sustenta determinadas posições e avaliações sobre as religiões e sobre a própria Igreja Católica.
O que não me parece adequado é apresentar essas opiniões como uma carta pública, um manifesto ou um documento formal, sem identificar quem o subscreve.
A matéria explica, com clareza, que a carta está assinada por um coletivo chamado Bispos do Diálogo pelo Reino.