Bet corta vale-refeição de funcionários e atribui medida a cenário regulatório e eleitoral

A Blaze retirou o VR de funcionários em trabalho remoto. Trabalhadores relatam demissões após exigência de retorno ao trabalho presencial.
Publicado em 19 de junho de 2026 às 10:00
Editado em 19 de junho de 2026 às 9:37
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Da Redação*

A plataforma de apostas Blaze, que tem Neymar como principal garoto-propaganda, comunicou a retirada do vale-refeição de parte de seus funcionários e justificou a decisão apontando dificuldades relacionadas ao ambiente regulatório do setor e às incertezas provocadas pelo cenário político e eleitoral brasileiro.

Em mensagem encaminhada aos trabalhadores, a empresa afirmou que o mercado de apostas regulamentadas enfrenta um período de pressão crescente. Segundo o comunicado, a expansão de plataformas ilegais, o aumento de tributos e a elevação dos custos operacionais estariam afetando o planejamento financeiro das empresas que atuam dentro das regras estabelecidas pelo governo.

A Blaze também mencionou preocupações com declarações de agentes públicos e de pré-candidatos que defendem mudanças tributárias ou restrições mais severas para o segmento de apostas online. Para a companhia, esse contexto contribui para um ambiente de insegurança jurídica.

Benefício foi mantido apenas para trabalhadores presenciais

A mudança atingiu principalmente empregados que atuam em regime remoto. Dos cerca de 200 trabalhadores vinculados à empresa no Brasil, aproximadamente 150 deixaram de receber o benefício. A partir da nova política, o vale-refeição passou a ser destinado apenas aos funcionários que exercem suas atividades presencialmente no escritório mantido pela companhia em São Paulo.

Paralelamente ao corte do benefício, a empresa solicitou que profissionais residentes na capital paulista retornassem ao trabalho presencial. De acordo com relatos colhidos pelo Brasil de Fato, parte dos trabalhadores rejeitou a mudança e cerca de 30 pessoas teriam sido desligadas posteriormente.

Um dos empregados ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmou que houve pressão para que os funcionários aceitassem o novo modelo de trabalho. Segundo ele, as demissões estariam relacionadas à recusa em abandonar o regime remoto.

Empresa nega irregularidades e diz manter diálogo aberto

Especialistas em direito do trabalho alertam que alterações em benefícios vinculados à alimentação podem gerar questionamentos judiciais, especialmente quando houver entendimento de que a mudança trouxe prejuízo ao trabalhador. O advogado Douglas Matos destacou que a legislação trabalhista restringe modificações contratuais consideradas lesivas e recomendou a negociação coletiva como forma de reduzir conflitos e dar maior segurança jurídica às partes envolvidas.

A Blaze negou que tenha dispensado funcionários por se recusarem a trabalhar presencialmente. Em nota, a empresa afirmou que suas decisões são baseadas em critérios técnicos, operacionais e legais, sempre em conformidade com a legislação trabalhista e com as normas que regulam o setor.

A companhia também declarou que permanece aberta ao diálogo com os colaboradores e reiterou o compromisso com a integridade, o bem-estar e a segurança jurídica de sua equipe.

Faturamento milionário

Dados do mercado indicam que a Blaze registrou faturamento estimado em US$ 115 milhões ao longo de 2025, valor próximo de R$ 600 milhões. A empresa figura entre as plataformas de apostas mais conhecidas do país e já esteve no centro de controvérsias envolvendo reclamações de usuários e discussões no Congresso Nacional sobre a atuação das chamadas “bets”.

Para ampliar sua presença no mercado brasileiro, a marca investe fortemente em publicidade com influenciadores digitais e celebridades. Entre os nomes associados à plataforma estão o jogador Neymar, a influenciadora Virginia Fonseca, o cantor MC Daniel e a empresária Juju Salimeni.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Neymar a e Blaze. Crédito: Instagram do jogador

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