A Copa do Mundo revelou, além de atletas como o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, que o Brasil está em alta em boa parte do mundo, não somente no futebol. Também no campo político o País mantém lugar de .destaque, uma mudança de cenário que pôde ser notada a partir de 2023, início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois do desastre da gestão do hoje presidiário Jair Messias Bolsonaro, condenado por cinco crimes, um deles tentativa de golpe de Estado.
São milhares de pessoas a usar as redes sociais nos mais diferentes idiomas para celebrar vitórias e torcer pelo Brasil e que neste domingo amargaram a derrota de uma Seleção apática, sem raça, frente à Noruega, na pior campanha em Copas do Mundo, segundo analistas. Mas, como toda perda tem alguma coisa de positivo, restam incentivos como da escritora cabo-verdiana Rebeca Nessier.
Ela encheu as redes sociais nesta semana que se inicia para agradecer ao povo brasileiro a torcida pela Seleção de Futebol do seu país, também derrotada, pela Argentina, campeã mundial, em um jogo apertado cuja vitória só veio na prorrogação. “O que mais me impressiona no Brasil não é futebol, é o coração”, diz Rebeca, e destaca:
“O brasileiro tem um coração enorme, quando decide ajudar alguém a crescer, quando decide abraçar uma causa, abraça de verdade, quando decide levantar alguém pra cima, levanta com toda a força e foi exatamente isso que eu vi acontecer com Cabo Verde e com Vozinha”.
Em Bangladesh, Líbano, Índia, Jamaica, Cabo Verde, entre outros países, a camisa da Seleção tem sido, nesta copa, um forte mascote e com ela o povo saiu às ruas para torcer ou comemorar e, neste domingo, para chorar a eliminação, mantendo, porém, a projeção da imagem do Brasil em intensidade somente observada a partir de 2020, quando o então ex-presidente Lula iniciou a jornada rumo ao terceiro mandato, que cumpre até dezembro e tem chance de iniciar um quarto em 2027.
Naquele ano, Lula acabara de amargar 385 preso, resultante da trama golpista arquitetada pelo juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dellagnol, com o apoio da mídia, Rede Globo liderando, do capital financeiro, de evangélicos retrógados e uma enorme massa (e não povo) desinformada por fake news.
Em entrevista ao jornal El País, em Madri, em novembro de 2021, aos 76 anos, Lula declarou: “Quando eu deixei a presidência, em 2010, o Brasil estava numa situação de crescimento econômico e de respeitabilidade. O que nós estamos vendo hoje é que o Brasil está quebrado. Temos mais desemprego e inflação. E a fome, que tinha acabado no Brasil em 2014, voltou com muita força. O Brasil era um protagonista internacional. E tudo isso foi desmontado. Em nome do quê? Em nome de apagar a imagem do Lula, de apagar a imagem do PT”.
“Portanto, estou com muita disposição de fazer política. Minha causa é a luta contra a desigualdade no Brasil e no mundo. Não posso admitir que o mundo produza mais alimentos do que a humanidade pode comer, e que tenhamos 800 milhões de pessoas com fome no mundo. Nem que no Brasil, que é o terceiro produtor de alimento do mundo, as pessoas estejam passando fome. É isso que me dá vontade de brigar. É isso que me faz ser jovem. Parece que tenho 76 anos, mas tenho energia de 30 anos. O mundo não pode continuar assim. Por isso estou com vontade de fazer política”, disse.
É esse mesmo entusiasmo que o eleva à liderança na disputa presidencial, aos 80 anos, e se lança para alcançar um quarto mandato, em meio ao aumento do prestigio do Brasil no mundo, seja no campo econômico, político, social e, agora, embalado pelo futebol, que, apesar de ter sido transformado em um show do capital, com alto nível de exclusão, movimenta as massas como relevante ativo político. Mesmo a eliminação pela Noruega não deve abalar o carinho manifestado em várias situações, em especial em países do Sul Global.
Ainda com vários setores em recuperação dos danos causados por Bolsonaro e tendo que neutralizar os ataques do fascista Donald Trump e sua máquina de guerra a ameaçar a sua soberania, o Brasil segue na liderança de programas do Brics, que assombra o governo estadunidense pelas relações comerciais com a China, a União Europeia e outros parceiros, abrindo um leque longe da hegemonia estadunidense.
No entanto, a luta mais intensa, se dá contra o bolsonarismo, movimento fascista que atua para eleger o senador Flávio Bolsonaro presidente da República, em movimentos articulado com seu irmão, o ex-deputado federal cassado Eduardo, foragido nos Estados Unidos. São líderes do grupo de traidores da Pátria, do qual fazem parte inúmeros parlamentares do PL, o partido do clã Bolsonaro, cuja característica marcante é, desde que foi formado, viver mamando no dinheiro público.
A partir deste domingo (5), com o resultado do jogo contra a Noruega, a Seleção deixa a competição e o desdobramento resultante da derrota ainda é uma incógnita, com solução reservada aos cartolas milionários que comandam o futebol, no Brasil e no mundo. No campo político, entretanto, o prestígio do Brasil permanece inabalado, no exterior e internamente, como mostram as pesquisas eleitorais, favoráveis a Lula.
Daqui a três meses, a população saberá o que lhe está reservado: a entrega de suas riquezas, a soberania, o aprisionamento do seu povo debaixo do cabresto dos Estados Unidos, com Flávio Bolsonaro, ou seguir como nação soberana, dona do seu destino, ampliando as melhorias proporcionadas pela atual gestão de governo e no governo, liderada pelo presidente Lula, que concorre a um quarto mandato, responsável por recolocar o País no cenário mundial, entre as mais importantes nações do planeta. .
A arma agora não é a bola, é o voto; o campo, as ruas, o local apropriado para as articulações políticas progressistas que façam o povo acordar, a fim de garantir ao conjunto da população a participação em movimentações no jogo político, sem a apatia vista no gramado do estádio New York New Jersey neste domingo. Para tanto, se faz necessária a adoção de medidas visando mexer nas estruturas de poder e de governança, a partir da campanha eleitoral que começa pra valer em agosto. O objetivo é que direitos deixem de ser privilégios para uma pequena parcela da população, refestelada em gabinetes e palácios, e possa incluir o povo em geral, independente do nível social.
Esse jogo, o das eleições de outubro, o Brasil não pode perder. Tem que ser jogado com o coração, com garra, ao lado dos que trabalham pelo Brasil, para derrubar de vez os traidores da Pátria.
Roberto Junquilho é jornalista, escritor e editor responsável pelo portal É Isso.
Foto de capa: Torcida brasileira celebrando a classificação diante do Japão na Copa do Mundo | Rafael Ribeiro / CBF, Nelson Terme / CBF



Uma resposta
Essa é a lição que devemos tirar de tudo o que está acontecendo.
O prestígio, o respeito e a solidariedade, que grande parte do Sul Global nos dá, é em retribuição ao respeito que o Brasil tem pelos países que vivem na mesma situação, fruto da desigualdade do sistema capitalista.